segunda-feira, 25 de maio de 2009

QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA

Características do Texto Literário

01 - Considere os seguintes trechos de A hora da Estrela:
"Embora a moça anônima da história seja tão antiga que podia ser uma figura bíblica, ela era subterrânea e nunca tinha tido floração. Minto: ela era capim. Se a moça soubesse que minha alegria também vem de minha mais profunda tristeza e que a tristeza era uma alegria falhada. Sim. Ela era alegrezinha dentro de sua neurose. Neurose de guerra."
Neles predominam, respectivamente, as seguintes figuras de linguagem:
a) inversão e hipérbole.
b) pleonasmo e oxímoro.
c) metáfora e antítese.
d) metonímia e metáfora.
e) eufemismo e antítese.

02 - Assinale a alternativa em que a conotação esteja presente.
a) Diante da explosão da aniversariante, todos engoliram o sorriso.
b) A mesa estava imunda e as mães enervadas com o barulho que os filhos faziam.
c) O vendedor insistira muito e ela, sempre tão tímida quando a constrangiam, acabou por comprar as rosas.
d) Quando recolheu do chão o caderno aberto, viu a letra redonda e graúda que era a sua. Todas eram vaidosas e de pernas finas, com aqueles colares falsificados e com as orelhas cheias de brincos.

03 - “A neve anda a branquear lividamente a estrada, / e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.”
Ambos os versos, de certa forma, se opõem: a neve e o frio da estrada e o calor da alcova, figura a que chamamos:
a) pleonasmo
b) antítese
c) prosopopéia
d) onomatopéia
e) anacoluto

04 -
Um mover de olhos, brando e piedoso,
Sem ver de quê; um riso brando e honesto,
Quase forçado; um doce e humilde gesto,
De qualquer alegria duvidoso;

Um desejo quieto e vergonhoso;
Um repouso gravíssimo e modesto;
Uma pura bondade, manifesto
Indício da alma, limpo e gracioso;

Um encolhido ousar, uma brandura;
Um medo sem ter culpa; um ar sereno;
Um longo e obediente sofrimento;

Esta foi a celeste formosura
Da minha Circe, e o mágico veneno
Que pôde transformar meu pensamento.

O soneto transcrito é de Luís de Camões e se enquadra em sua poesia lírica. Releia-o atentamente e indique a alternativa errada a respeito dele.
a) Pinta o retrato da mulher amada, composto por traços físicos e da caráter e realçado por imagens construídas por antíteses.
b) Apresenta uma sucessão de frases nominais que, no conjunto, caracterizam uma clara função descritiva.
c) Marca-se por uma força poética que atravessa o texto e alcança seu ápice no nome Circe, núcleo da nomeação e metafórica da mulher amada.
d) Configura, sintaticamente, os quartetos e o primeiro terceto como apostos da proposição contida no segundo
terceto.
e) Apresenta regularidade sintática porque tanto os quartetos quanto os tercetos se constroem a partir de idêntica estrutura lógica-oracional.

05 - A questão seguinte toma por base a primeira estrofe de “O Menino da Porteira”, de Teddy Vieira (1922-1965) e Luís Raimundo (1916), o Luisinho, e a letra de “Meu bemquerer”, de Djavan (1949).

O Menino da Porteira

Toda vez que eu viajava
Pela estrada e Ouro Fino,
De longe eu avistava
A figura de um menino,
Que corria abri[r] a porteira
Depois vinha me pedindo:
- Toque o berrante seu moço,
que é prá mim ficá[ar] ouvindo.

(Luisinho, Limeira e Zezinha, 1955)

Meu bem querer

Meu bem-querer
É segredo é sagrado,
Está sacramentado
Em meu coração
Meu bem querer
Tem um quê de pecado
Acariciado pela emoção.
Meu bem querer, meu encanto,
Tô sofrendo tanto, amor.
E o que é o sofrer
Para mim, que estou
Jurado p´ra morrer de amor?

(Djavan.“Alumbramento”. Emi-Odeon.1980)

O processo estilístico em que um verso se estende no outro, sintática e semanticamente, é conhecido como encavalgamento, “cavalgamento” ou, muitas vezes, pelo termo francês “enjambement”. Esse recurso é frequente na estrutura do texto poemático. As estrofes da poesia-canção de Djavan, por exemplo, têm seus versos quase que inteiramente estruturados por esse processo. Indique a alternativa em que não ocorre encavalgamento.
a) Meu bem-querer / É segredo, é sagrado,
b) Meu bem-querer / Tem um quê de pecado
c) E o que é o sofrer / Pra mim, que estou
d) Acariciado pela emoção. / Meu bem-querer, meu encanto,
e) Para mim, que estou / Jurado p´ra morrer de amor?

Texto para as questões 06 e 07

Quem tivesse um amor, nesta noite de lua,
para pensar um belo pensamento
e pousá-lo no vento!
Quem tivesse um amor – longe, certo e impossível –
para se ver chorando, e gostar de chorar,
e adormecer de lágrimas e luar!
Quem tivesse um amor, e, entre o mar e as estrelas,
partisse por nuvens, dormente e acordado,
levitando apenas, pelo amor levado...
Quem tivesse um amor, sem dúvida nem mácula,
sem antes nem depois: verdade e alegoria...
Ah! quem tivesse... (Mas, quem teve? Quem teria?)

Meireles, C. Os melhores poemas de Cecília Meireles. 5ed. São Paulo: Global, 1993. p 68.

06 – Paradoxo é um recurso semântico por meio do qual se relacionam expressões antônimas com a finalidade de tentar conciliar conceitos contraditórios. Dentre os exemplos do texto, constitui um paradoxo o verso:
a) “para pensar um belo pensamento” (v. 2).
b) “para se ver chorando, e gostar de chorar,” (v. 5).
c) “e adormecer de lágrimas e luar” (v. 6).
d) “Quem tivesse um amor sem dúvida nem mácula,” (v. 10).
e) “sem antes nem depois: verdade e alegoria...” (v. 11).

07 – O emprego dos tempos/modos verbais desempenha um papel fundamental na construção da coerência textual. Partindo dessa constatação, é correto afirmar que:
a) “tivesse” é uma forma verbal que se refere a um fato hipotético.
b) “tivesse” é uma forma verbal que se refere a um fato passado e inconcluso.
c) “teve” é uma forma verbal que se refere a uma ação passada e habitual.
d) “teria” é uma forma verbal que se refere a uma ação futura e quotidiana.
e) “tivesse” é uma forma verbal que se refere a uma ação futura em relação ao passado.

Texto para as questões 08, 09 e 10

Seremos ainda românticos
- e entraremos na densa mata,
em busca de flores de prata,
de aéreos, invisíveis cânticos.
Nas pedras, à sombra, sentados,
respiraremos a frescura
dos verdes reinos encantados
das lianas e da fonte pura.
E tão românticos seremos,
de tão magoado romantismo,
que as folhas dos galhos supremos
que se desprenderem no abismo
pousarão na nossa memória
- secas borboletas caídas –
e choraremos sua história,
- resumo de todas as vidas.

Meireles, C. Os melhores poemas de Cecília Meireles. 5ed. São Paulo: Global, 1993. p 68.

08 – A expressão “secas borboletas caídas” (verso 14) é uma metáfora para:
a) folhas (v. 11).
b) pedras (v. 5).
c) romantismo (v. 10).
d) flores de prata (v. 3).
e) galhos supremos (v. 11).

09 – O recurso poético da sinestesia (cruzamento de sensações - táteis, visuais, olfativas, etc.) pode ser verificado em:
a) “entraremos na densa mata” (v. 2) e “resumo de todas as vidas” (v 16).
b) “invisíveis cânticos” (v. 4) e “respiraremos a frescura/ dos verdes reinos encantados” (v. 6-7).
c) “E tão românticos seremos” (v. 9) e “magoado romantismo” (v. 10).
d) “Nas pedras, à sombra, sentados” (v. 5) e “em busca de flores de prata” (v. 3).
e) “e choraremos sua história” (v. 15) e “E tão românticosseremos” (v. 9).

10 – O título “Romantismo”, no poema de Cecília Meireles, leva o leitor a uma expectativa de que haja elementos da poesia romântica expressos no texto. E, de fato, a autora utiliza estes elementos, entre os quais se destacam:
a) a expressão plena de sentimentos pessoais e a fuga da realidade.
b) a crítica social e o desejo de liberdade.
c) a valorização da pátria e o sentimento.
d) a resignação perante as angústias da vida e a crítica social.
e) o culto à natureza e ao nacionalismo.

Estilos de Época - Era Medieval

Soneto de Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

(Vinícius de Morais)

11 - Releia com atenção a última estrofe:
"Fez-se de amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."
Tomemos a palavra amigo. Todos conhecem o sentido com que esta forma linguística é usualmente empregada no falar atual. Contudo, na Idade Média, como se observa nas cantigas medievais, a palavra amigo significou:
a) colega
b) companheiro
c) namorado
d) simpático
e) acolhedor

12 - Em meados do século XIV, a poesia trovadoresca entra em decadência, surgindo, em seu lugar, uma nova forma de poesia, totalmente distanciada da música, apresentando amadurecimento técnico, com novos recursos estilísticos e novas formas poemáticas, como a trova, a esparsa e o vilancete.

Assinale a alternativa em que há um trecho representativo de tal tendência.
a) Non chegou, madre, o meu amigo,
e oje est o prazo saido!
Ai, madre, moiro d’amor!
b) Êstes olhos nunca perderán,
senhor, gran coita, mentr’eu vivo fôr;
e direi-vos fremosa, mia senhor,
destes meus olhos a coita que han:
choran e cegan, quand’alguém non veen,
e ora cegan por alguen que veen.
c) Meu amor, tanto vos amo,
que meu desejo não ousa
desejar nehua cousa.
Porque, se a desejasse,
logo a esperaria,
e se eu a esperasse,
sei que vós anojaria:
mil vezes a morte chamo
e meu desejo não ousa
desejar-me outra cousa.
d) Amigos, non poss’eu negar
a gran coita que d’amor hei,
ca me vejo sandeu andar,
e con sandece o direi:
os olhos verdes que eu vi
me fazen ora andar assi.
e) Ai! dona fea, foste-vos queixar
por (que) vos nunca louv’em meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar,
em que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar.
dona fea, velha e sandia!

13 - Assinale a alternativa incorreta a respeito das cantigas de amor.
a) O ambiente é rural ou familiar.
b) O trovador assume o eu-lírico masculino: é o homem quem fala.
c) Têm origem provençal.
d) Expressam a “coita” amorosa do trovador, por amar uma dama inacessível.
e) A mulher é um ser superior, normalmente pertencente a uma categoria social mais elevada que a do trovador.

14 - Sobre a poesia trovadoresca em Portugal, é incorreto afirmar que:
a) refletiu o pensamento da época, marcada pelo teocentrismo, o feudalismo e valores altamente moralistas.
b) representou um claro apelo popular à arte, que passou a ser representada por setores mais baixos da sociedade.
c) pode ser dividida em lírica e satírica.
d) em boa parte de sua realização, teve influência provençal.
e) as cantigas de amigo, apesar de escritas por trovadores, expressam o eu-lírico feminino.

15 -
“Ai dona fea! Foste-vos queixar
porque vos nuca louv’em meu trobar
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei toda via
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!”

Assinale a afirmação correta a respeito do trecho de João Garcia de Guilhade.
a) É cantiga satírica.
b) Foi o primeiro documento escrito em língua portuguesa (1189-1198).
c) Trata-se de cantiga de amigo.
d) Foi escrita durante o Humanismo (1418-1527).
e) Faz parte do Auto da Feira.

16 - Assinale a alternativa incorreta a respeito do Trovadorismo em Portugal.
a) Nas cantigas de amigo, o trovador escreve o poema do ponto de vista feminino.
b) Nas cantigas de amor, há o reflexo do relacionamento entre senhor e vassalo na sociedade feudal: distância e extrema submissão.
c) A influência dos trovadores pro-vençais é nítida nas cantigas de amor galego-portuguesas.
d) Durante o Trovadorismo, ocorreu a separação entre a poesia e a música.
e) Muitas cantigas trovadorescas foram reunidas em livros ou coletâneas que receberam o nome de cancioneiros.

17 -
“Amigos, non poss’eu negar
A gran coita que d’amor ei,
Ca me vejo sandeu andar
E com sandece o direi:
Os olhos verdes que eu vi
Me fazen or(a) andar assi.
Pero quen quer s’entenderá
Aquestes olhos quaes son
E d’est’alguen se quexará
Mais eu já quer moira, quer non:
Olhos verdes que eu vi
Me fazen or(a) andar assi”.

É correto afirmar que o texto anterior faz parte de:
a) uma cantiga de maldizer.
b) uma cantiga de amigo.
c) uma cantiga de amor.
d) um auto vicentino.
e) uma cantiga de escárnio.

18 -
“ Ai ondas que eu vin veer,
se me saberedes dizer
por que tarda meu amigo
sem mi!
Ai ondas que eu vin mirar,
Se me saberedes contar
Por que tarda meu amigo
Sem mi!”

A composição anteriormente transcrita é de autoria de um jogral galego que, tendo escrito apenas sete cantigas, caracterizou exemplarmente o lirismo da sua época.
Assinale, em uma das alternativas, a fase literária a que pertence a composição.
a) Lirismo palaciano.
b) Lirismo barroco.
c) Lirismo romântico.
d) Lirismo trovadoresco.
e) Lirismo clássico.

19 - Em relação à poesia trovadoresca, pode-se dizer que:
a) A cantiga de amigo, expressão do amor masculino, tem sua origem na Península Ibérica.
b) A produção poética dos trovadores encontra-se reunida no Cancioneiro da Vaticana.
c) Na poesia lírica dos trovadores, também se destacam as cantigas de escárnio e as cantigas de maldizer.
d) D. Dinis, o rei trovador, compôs: cantigas de amigo, cantigas de escárnio, cantigas de maldizer.
e) As cantigas de amor possuem várias espécies, como:
barcarola, marinha, alba, serena, pastolera e cantiga de romaria.

20 - Indique a afirmação correta sobre o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente:
a) É intrincada a estruturação de suas cenas, que surpreendem o público com o inesperado de cada situação.
b) O moralismo vicentino localiza os vícios não nas instituições, mas nos indivíduos que as fazem viciosas.
c) É complexa a crítica aos costumes da época, já que o autor é o primeiro a relativizar a distinção entre o Bem e o Mal.
d) A ênfase desta sátira recai sobre as personagens populares, as mais ridicularizadas e as mais severamente punidas.
e) A sátira é aqui demolidora e indis-criminada, não fazendo referência a qualquer exemplo de valor positivo.

21 - Considere as seguintes afirmações sobre o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente:
I - O auto atinge seu clímax na cena do Fidalgo, personagem que reúne em si os vícios das diferentes categorias sociais anteriormente representadas.
II - A descontinuidade das cenas é coerente com o caráter didático do auto, pois facilita o distanciamento do espectador.
III - A caricatura dos tipos sociais presentes no auto não é gratuita nem artificial, mas resulta da acentuação de traços típicos.
Está correto apenas o que se afirma em:
a) I
b) II.
c) II e III.
d) I e II.
e) I e III.

22 –
"Ninguém:
Tu estás a fim de quê?
Todo Mundo:
A fim de coisas buscar
que não consigo topar.
Mas não desisto,
porque o cara tem de teimar.
Ninguém:
Me diz teu nome primeiro.
Todo Mundo:
Eu me chamo Todo Mundo
e passo o dia e o ano inteiro
correndo atrás de dinheiro,
seja limpo ou seja imundo.
Belzebu:
Vale a pena dar ciência
e anotar isto bem,
por ser fato verdadeiro:
que Ninguém tem consciência,
e Todo Mundo, dinheiro."

No trecho, Carlos Drummond de Andrade reconstruiu, com nova linguagem, parte de um texto de importante dramaturgo da língua portuguesa. Trata-se de:
a) Gil Vicente.
b) Dom Diniz.
c) Luís Vaz de Camões.
d) Sá de Miranda.
e) Fernão Lopes.

23 - Esta questão refere-se às obras Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e Morte e Vida Severina (auto de natal pernam-bucano), de João Cabral de Melo Neto.
Leia as alternativas a seguir e assinale a correta.
a) As duas obras apresentam uma crítica à sociedade de suas épocas: a de Gil Vicente, a partir das almas que representam classes sociais e profissionais de Portugal, a de João Cabral, a partir de personagens representativas de tipos sociais do Nordeste.
b) As duas obras apresentam construções poéticas diametralmente opostas, uma vez que uma emprega o verso decassílabo e a outra, a redondilha.
c) As duas obras apresentam aspectos em comum, como o julgamento e a condenação, isto é, em ambas, as personagens são julgadas e condenadas após a morte.
d) As duas obras apresentam o julgamento ocorrendo na consciência de cada personagem. Entretanto, a execução da justiça, em Auto da Barca do Inferno, é somente realizada pelo Dia bo, e, em Morte e Vida Severina, pela miserabilidade da vida.
e) As duas obras apresentam estrutura de auto; assimilam, portanto, tradições populares e constróem a realidade por meio da crítica. Como autos, são representações teatrais que contêm vários atos.

24 - Diabo, Companheiro do Diabo, Anjo, Fidalgo, Onzeneiro, Parvo, Sapateiro, Frade, Florença, Brísida Vaz, Judeu, Corregedor, Procurador, Enforcado e Quatro Cavaleiros são personagens de Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.
Analise as informações a seguir e selecione a alternativa incorreta, cujas características não descrevam adequadamente a personagem.
a) Onzeneiro idolatra o dinheiro, é agiota e usurário; de tudo que juntara, nada leva para a morte, ou melhor, leva a bolsa vazia.
b) Frade representa o clero decadente e é subjugado por suas fraquezas: mulher e esporte; leva a amante e as armas de esgrima.
c) Diabo, capitão da barca do inferno, é quem apressa o embarque dos condenados; é dissimulado e irônico.
d) Anjo, capitão da barca do céu, é quem elogia a morte pela fé; é austero e inflexível.
e) Corregedor representa a justiça e luta pela aplicação íntegra e exata das leis; leva papéis e processos.

25 - O argumento da peça “A Farsa de Inês Pereira”, de Gil Vicente, consiste na demonstração do refrão popular “Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube”. Identifique a alternativa que NÃO corresponde ao provérbio, na construção da farsa.
a) A segunda parte do provérbio ilustra a experiência desastrosa do primeiro casamento.
b) O escudeiro Brás da Mata cor-responde ao cavalo, animal nobre, que a derruba.
c) O segundo casamento exem-plifica o primeiro termo, asno que a carrega.
d) O asno corresponde a Pero Marques, primeiro pretendente e segundo marido de Inês.
e) Cavalo e asno identificam a mesma personagem em diferentes momentos de sua vida conjugal.

26 - Em relação a Gil Vicente, é incorreto dizer que:
a) recebeu, no início de sua intensa ati-vidade literária, influência de Juan del Encina.
b) sua primeira produção teatral foi “Auto dos Reis Magos”.
c) suas obras se caracterizaram, antes de tudo, por serem primitivas e populares.
d) suas obras surgiram para entretenimento nos ambientes da corte portuguesa.
e) seu teatro caracterizou-se por observações satíricas às camadas sociais da época.

27 - Caracteriza o teatro de Gil Vicente:
a) A revolta contra o Cristianismo.
b) A obra escrita em prosa.
c) A elaboração requintada dos quadros e cenários apresentados.
d) A preocupação com o Homem e com a Religião.
e) A busca de conhecimentos universais.

28 -
“Comigo me desavim,
sou posto em todo perigo;
não posso viver comigo
nem posso fugir de mim.
Com dor, da gente fugia,
antes de esta assim crescesse;
agora já fugiria
de mim, se de mim pudesse.
Que meio espero ou que fim
do vão trabalho que sigo,
pois que trago a mim comigo,
tamanho imigo de mim?”

(Sá de Miranda)
Assinale a alternativa correta com relação ao texto.
a) Tem características do Humanismo português.
b) Pertence ao estilo clássico-renascentista.
c) Traz índices explícitos de uma cultura teocêntrica.
d) Os versos redondilhos apontam para o estilo barroco.
e) Do ponto de vista formal, apresenta características típicas das cantigas medievais.


Classicismo

As questões de 29 a 32 referem-se ao texto que segue:

“Por isso, ó vós que as famas estimais
Se quiserdes no mundo ser tamanhos,
Despertai já do sono do ócio ignavo,
Que o ânimo de livre faz escravo.
Ó ponde na cobiça um freio duro,
E na ambição também, que indignamente
Tomais mil vezes, e no torpe e escuro
Vício da tirania infame e urgente;
Porque essas honras vãs, esse ouro puro
Verdadeiro valor não dão à gente:
Melhor é merecê-los sem os ter;
Que possuí-los sem os merecer.”
(Os Lusíadas, IX, 92-93)

29 - Indique a idéia que não está no texto:
a) A ambição é um vício torpe que leva à tirania.
b) As falsas honras e a riqueza não dão valor às pessoas.
c) Os que aspiram à glória devem fugir do ócio.
d) É preciso refrear a excessiva ambição e o pendor para a tirania.
e) É preferível merecer honras e riquezas não conseguidas a obtê-las sem merecimento.

30 - O sentido de “ponde (...) um freio duro (...)” é completado pelos termos:
a) cobiça,ambição e ócio.
b) ambição, vício da tirania e honras vãs.
c) escravidão e cobiça.
d) cobiça, ambição e vício da tirania.
e) cobiça e honras vãs.

31 - O Autor inclui nas honras vãs:
a) a ambição de glória
b) a ociosidade.
c) a liberdade de ânimo.
d) o refreamento da cobiça.
e) os vícios em geral.

32 - Caracteriza o texto um tom:
a) descritivo.
b) narrativo.
c) filosófico.
d) patriótico.
e) satírico.

33 -
“Converte-se a carne em terra dura;
Em penedos os ossos se fizeram;
Estes membros que vês a esta figura
Por estas longas águas se estenderam.
Enfim, minha grandíssima estatura
Neste remoto cabo converteram
Os deuses; e, por mais dobradas mágoas,
Me anda Tétis cercando destas águas.”

Tem-se a figura do Gigante Adamastor criada pelo poeta:
a) português, Luís de Camões, em Os Lusíadas
b) brasileiro, Basílio da Gama, em O Uruguai
c) português, Padre Antônio Vieira, Sermão da Sexagésima.
d) brasileiro, Mário de Andrade, em Macunaíma.
e) n.d.a.

34 - Em Os Lusíadas, Camões:
a) narra a viagem de Vasco da Gama às Índias.
b) Tem por objetivo criticar a ambição dos navegantes portugueses que abandonam a pátria à mercê dos inimigos para buscar ouro e glória em terras distantes.
c) afasta-se dos modelos clássicos, criando a epopéia lusitana, um gênero inteiramente original da época.
d) lamenta que, apesar de ter dominado os mares e descoberto novas terras,Portugal acabe subjugado pela Espanha.
e) tem como objetivo elogiar a bravura dos portugueses e o faz por meio da narração dos episódios mais valorosos da colonização brasileira.

35 - Aponte a alternativa incorreta em relação a Os Lusíadas, de Camões:
a) É um poema épico, composto de 10 cantos e 1102 estrofes.
b) Na dedicatória, o poeta oferece o poema ao jovem rei D. Sebastião.
c) A narração é a parte mais extensa do poema, na qual o poeta narra episódios da história nacional e incidentes ocorridos na viagem de Vasco da Gama.
d) O epílogo é dedicado às ninfas do rio Tejo, as Tágides, protetoras dos portugueses.
e) Na proposição, o poeta resume o assunto a ser tratado; começa com o famoso verso: “As armas e os barões assinalados”.

36-
"Não mais, Musa, não mais, que a lira tenho
Destemperada ea voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a Pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
De uma austera, apagada e vil tristeza.”

Os versos anteriores pertencem a que parte de Os Lusíadas?
a) Proposição
b) Invocação
c) Dedicatória
d) Narração
e) Epílogo

37- Sobre o poema Os Lusíadas, é incorreto afirmar que:
a) quando a ação do poema começa, as naus portuguesas estão navegando em pleno Oceano Índico, portanto no meio da viagem.
b) Na invocação, o poeta se dirige às Tágides, ninfas do rio Tejo.
c) tem como núcleo narrativo a viagem de Vasco da Gama, a fim de estabelecer contato marítimo com as Índias.
e) é composto em sonetos decas- sílabos, mantendo em 1.102 estrofes o mesmo esquemas de rimas.

38 - Apontam-se a seguir algumas características atribuídas pela crítica à epopéia de Luís Vaz de Camões, Os Lusíadas. Uma dessas características está incorreta. Trata-se de:
a) concepção da história nacional como uma seqüência de proezas de heróis aristocráticos e militares.
b) apologia dos poderes humanos, realçando o orgulho humanista de autodeterminação e do avanço no domínio sobre a natureza.
c) efabulação mitológica.
d) contraposição da experiência e da observação direta à ciência livresca da Antigüidade.
e) eliminação do pan-erotismo, existente na parte da lírica, em favor de uma ênfase mais objetiva na narração dos feitos lusitanos.

39 -
"No mar, tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida;
Na terra, tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?"

Nessa estrofe, Camões:
a) exalta a coragem dos homens que enfrentam os perigos do mar e da terra.
b) considera quanto deve o homem confiar na providência divina, que o ampara nos riscos e adversidades.
c) lamenta a condição humana ante os perigos, sofrimentos e incertezas da vida.
d) propõe uma explicação a respeito do destino do homem.
e) classifica o homem como um bicho da terra, dada a sua agressividade.

40 - Camões:
a) nasceu no dia 10 de junho de 1589.
b) escreveu uma epopéia publicada em 1572.
c) tomou a Divina Comédia como modelo de seu poema.
d) Foi amigo de Gil Vicente, com quem conviveu na corte.
e) esteve na Itália, de onde levou para Portugal os princípios da estética clássica.

41 - Considere as seguintes afirmações sobre a fala do velho do Restelo, em Os Lusíadas:
I) No seu teor de crítica às navegações e conquistas, encontra-se refletida e sintetizada a experiência das perdas que causam, experiência esta já acumulada na época em que o poema foi escrito.
II) As críticas aí dirigidas às grandes navegações e às conquistas são relativizadas pelo pouco crédito atribuído a seu emisor, já velho e com um “saber só de experiências feito”.
III) A condenação enfática que aí se faz à empresa das navegações e conquistas revela que Camões teve duas atitudes em relação a ela: tanto criticou o feito quanto o exaltou.
Está correto apenas o que se afirma em:
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) I e III.


Gêneros Literários

42 - Na cena da farsa Auto da Lusitânia (texto 04) atuam os personagens Todo o Mundo e Ninguém, e, intercaladamente, Berzebu e Dinato. Os diálogos entre estes dois últimos estabelecem uma ambigüidade semântica com respeito aos dois primeiros.
Releia o texto e responda:
a) Qual personagem se responsabiliza diretamente por promover a ambigüidade?
b) Explique a ambiguidade que adquirem os nomes Todo o Mundo e Ninguém.

43 - Confrontando os fragmentos do Auto da Lusitânia e de O Cortiço percebe-se que o comportamento de João Romão corresponde, até com sarcasmo, a uma das atitudes que o auto de Gil Vicente atribui a Todo o Mundo. Compare ambos os textos e responda:
a) Qual é esse comportamento de João Romão?
b) Aponte uma passagem de cada um dos textos em que tal comportamento esteja caracterizado.

44 - Releia o texto 02 da aula para responder a questão a seguir:
De acordo com o sujeito poético, o amor
a) é efêmero no plano carnal.
b) eterniza-se através da poesia.
c) é tirano na forma com se manifesta.
d) escapa aos efeitos da ação do tempo.
e) provoca, em quem ama, ansiedade e insegurança.

45 - O genêro dramático entre outros aspectos, apresenta como característica essencial:
a) a presença de um narrador.
b) a estrutura dialógica.
c) o extravasamento lírico.
d) a musicalidade.
e) o descritivismo.

46 - O soneto é uma das formas poéticas mais tradicionais e difundidas nas literaturas ocidentais e expressa, quase sempre, conteúdo:
a) dramático
b) satírico
c) lírico
d) épico
e) cronístico

47 - “Será que eu enriqueceria este relato se usasse alguns difíceis termos técnicos? Mas aí que está: esta história não tem nenhuma técnica, nem de estilo, ela é ao deus-dará. Eu que também não mancharia por nada deste mundo com palavras brilhantes
e falsas uma vida como a da datilógrafa.”

(Clarice Lispector, A hora da estrela)
Em A Hora da Estrela, o narrador questiona-se quanto ao modo e, até, à possibilidade de narrar a história. De acordo com o trecho citado, isso deriva do fato de ser ele o narrador:
a) iniciante, que não domina as técnicas necessárias ao relato literário.
b) pós-moderno, para quem as preocupações de estilo são ultrapassadas.
c) impessoal, que aspira a um grau de objetividade máxima no relato.
d) objetivista, que se preocupa apenas com a pressão técnica do relato.
e) autocrítico, que percebe a ina-dequação de um estilo sofisticado para narrar a vida popular.

48 - "Escrever prosa é um arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapa pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de preferência escolhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo."
(Vinícius de Moraes)
No texto acima, Vinícius de Moraes busca definir a crônica como um gênero:
a) menos extenso que outras formas de ficção, mas que enfrenta os mesmos desafios que os romancistas ou contistas.
b) em que o narrador se sente amarrado às criaturas ficcionais a que ele mesmo vai dando vida.
c) que se alimenta sobretudo de fatos recentes, aos quais dará uma nova e original interpretação.
d) que se opõe a todas as outras formas de ficção, já que há nela muito mais trabalho com a linguagem.
e) cuja principal característica é relatar eventos de interesse público, mantendo-se fiel a todos os detalhes que os singularizam.

49 - "Agora vou escrever ao correr da mão: não mexo no que ela escrever. Esse é um modo de não haver defasagem entre o instante e: anjo no âmago do próprio instante. Mas de qualquer modo há alguma defasagem. Começa assim: como o amor impede a morte, e não sai o que estou querendo dizer com isto."
Esse é um trecho do romance Água viva, de Clarice Lispector, onde se traduz uma das características mais mar-cantes da escritora:
a) a capacidade de traduzir as emoções mais profundas por meio de representação de cenas do cotidiano.
b) a problematização da própria literatura, por meio da investigação dos limites da linguagem e do pensamento.
c) a vivacidade da experiência amorosa, traduzida no âmbito do plano carnal e desprovida de qualquer reflexão sobre si mesmo.
d) o engajamento na estética realista, no esforço de pintar os fatos exteriores à medida em que vão acontecendo.
e) o compromisso com a matéria da memória, trabalhada de modo inteiramente objetivo e documental.

Texto para a questão 50 e 51

Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

(Vinícius de Morais)

50 -Releia o texto 03 da aula e assinale o que for correto.
01) A teoria literária moderna reconhece três gêneros literários fundamentais - o épico, o lírico e o dramático - e, apesar de não fazer diferença de prestígio entre eles, não aceita a mistura deles em uma mesma obra literária. Podem-se subdividir esses trêsgêneros em espécies ou formas; o soneto é uma das formas dramáticas; a tragédia é uma das formas épicas; a balada é uma das
formas líricas.
02) No texto 03, predomina o gênero dramático, que tem a sua manifestação mais viva nos aspectos trágicos, procurando representar os conflitos e os dramas vivenciados pelos homens e a
precariedade do mundo em que estão inseridos o drama da separação de dois amantes.
04) No texto 03, predomina o gênero lírico, caracterizado, essencialmente, por manifestar a subjetividade do eu lírico, expressando-lhe os sentimentos, as emoções, o mundo interior. De modo geral, a musicalidade é um elemento fundamental no texto lírico. Nesse texto de Vinícius de Moraes, além das rimas, a ocorrência considerável de fonemas sibilantes /sê/ e a semelhança de som de palavras como faz, espuma, espalmadas, espanto etc. consistem nos principais recursos empregados pelo artista para alcançar a referida sonoridade.

51) No texto 03, pertencente ao gênero lírico, predomina:
a) a antítese como figura e linguagem;
b) a referência a fatos presentes como deflagradores do conflito do eu lírico;
c) afunção conativa da linguagem;
d) os versos decassílabos;
e) asrimas consoantes, pobres e interpoladas;
f) o emprego da linguagem
figurada;
g) a expressão do conflito do eu-lírico decorrente da separação amorosa.

52) Pode-se afirmar que:
a) a antítese, figura de linguagem predominante no texto 03, exprime idéias cuja força significativa reside na oposição dos contrários. É o que acontece no verso “E do momento imóvel fez-se o drama”, em que o conflito vivido pelo eu lírico atinge seu ponto culminante;
b) no textoliterário, dependendo do contexto, uma mesma palavra pode ter uma significação objetiva (denotação ou sugerir outras significações, marcadas pela subjetividade do emissor (conotação).
c) No verso “De repente da calma fez-se o vento”, as palavras estão empregadas em sentido figurado ou conotativo.

53) Pode-se afirmar que:
a) o soneto, composto de dois quartetos e de dois tercetos, é uma das formas poemáticas mais tradicionais e difundidas na literatura ocidentais e expressa quase sempre, conteúdo lírico;
b) o soneto costuma conter uma reflexão sobre um tema ligado à vida humana. No texto acima, Vinícius de Moraes, ao retomar esse modo tradicional de compor versos, presta homenagem aos grandes clássicos da literatura, reconhecendo, no presente, a herança cultural do passado.

54 - Assinale a alternativa incorreta.
a) Os versos são decassílabos.
b) O poema constrói-se em versos brancos.
c) A linguagem é literária.
d) Os versos organizam-se em um soneto.
e) Há, no texto, um grando número de antíteses.

Barroco

55 - (Fuvest)
“Nasce o sol, e não dura mais que um dia
Depois da luz, se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria”.

Na estrofe acima, de Gregório de Matos, a principal característica do Barroco é:
a) o culto da natureza.
b) a utilização de rimas alternadas.
c) a forte presença de antíteses.
d) o culto do amor cortês.
e) o uso de aliterações.

56 - (USF-SP)
“Que és terra, homem, em terra hás de tornar-te,
Te lembra hoje Deus por tua Igreja;
De pó te fez espelho, em que se veja
A vil matéria, de que quis formar-te”.

Conforme sugere o excerto acima, o poeta Barroco não raro expressa:
a) O medo de ser infeliz; uma imensa angústia em face da vida a que se consegue dar sentido; a desilusão diante da falência de valores terrenos e divinos.
b) A consciência de que o mundo terreno é efêmero e vão; o sentimento de nulidade diante do poder divino.
c) A percepção de que não há saídas para o homem; a certeza de que o aguardam o inferno e a desgraça espiritual.
d) A necessidade de ser piedoso e caritativo, paralela à vontade de fruir até as últimas conseqüências o lado material.
e) O convite a fruir o momento e desfrutar os prazeres da vida.

57 - (UFV) Assinale a alternativa que não corresponde a uma correta definição do estilo Barroco.
a) A produção poética seiscentista expressou a tensão e a irregularidade de uma época conturbada por valores opostos.
b) Uma das temáticas determinadas da poesia do século XVII foi a efemeridade do mundo terreno.
c) A dialética da culpa e do arrependimento refletiu a inconstância da alma barroca.
d) O barroco brasileiro adotou o racionalismo como um dos princípios norteadores da vida e da arte.
e) O jogo de idéias e de palavras confirmou-se como um dos aspectos preponderantes da estética barroca.


58 -
Texto I
“Na confusão do mais horrendo dia,
Painel da noite, em tempestade brava
Do fogo e ar o ser embaraçava,
Da terra e ar o ser se confundia."

Texto II

"Se o que elegestes furta (não o ponhamos em condicional,
porque claro está que há de furtar); furtar o que elegestes; e
furtar por si e por todos os seus, como costumam os semelhantes,
e Deus há vos de pedir a conta a vós; porque o vosso voto foi causa
de todos aqueles roubos."

Após a leitura dos dois textos, identifique em qual predomina a vertente cultista e a conceptista.

Considere as seguintes afirmações sobre o Barroco brasileiro:
I) A arte barroca caracteriza-se por apresentar dualidades,conflitos, paradoxos e contrastes, que convivem tensamente na unidade da obra.
II) O conceptismo e o cultismo, expressão da poesia barroca, apresentam um imaginário bucólico, sempre povoado de pastoras e ninfas.
III)A oposição entre Reforma e Contra-Reforma expressa, no plano religioso, os mesmos dilemas de que o Barroco se ocupa.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e III.
e) I, II e III.

59 - Considere as seguintes afirmações abaixo:
I) O Barroco literário, no Brasil, correspondeu a um período em que o incremento da atividade mineradora propiciou o desenvolvimento urbano e o surgimento de uma incipiente classe média formada por funcionários, comerciantes e profissionais liberais.
II) Uma das feições da poesia barroca era o chamado conceptismo – exploração de conceitos e idéias abstratas através de evolução engenhosa do pensamento.
III) A ornamentação da linguagem que caracterizou o Barroco brasileiro pode ser identificada pelo uso repetido de jogos de palavras, pela construção frasal e pelo emprego da antítese.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e III.
e) I, II e III.


60 - (PUC-SP) Sobre cultismo e conceptismo, os dois aspectos construtivos do Barroco, assinale a única alternativa incorreta.
a) O cultismo opera por meio de analogias sensoriais, valorizando a identificação dos seres por metáforas. O conceptismo valoriza a atitude intelectual, a argumentação.
b) Cultismo e conceptismo são partes construtivas do Barroco que não se excluem. É possível localizar no mesmo autor e até no mesmo texto os dois elementos.
c) O cultismo é perceptível no rebuscamento da linguagem, pelo abuso no emprego de figuras semânticas, sintáticas e sonoras. O conceptismo valoriza a atitude intelectual, o que se concretiza
no discurso pelo emprego de sofismas, silogismos, paradoxos.
d) O cultismo na Espanha, Portugal e Brasil é também conhecido como Gongorismo e seu mais ardente defensor, entre nós, foi o Padre Antônio Vieira, que no Sermão da Sexagésima, propõe a primazia da palavra sobre a idéia.
e) Os métodos cultistas mais seguidos por nossos poetas foram os de Gôngora e Marini, e o conceptismo de Quevedo foi o que maiores influências deixou em Gregório de Matos.

61 - A preocupação com brevidade da vida induz o poeta barroco a assumir uma atitude que:
a) descrê da misericórdia divina e contesta os valores da religião;
b) desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a mocidade e a beleza;
c) se deixa subjulgar pelo desânimo e pela apatia dos céticos;
d) se revolta contra os insondáveis desígnios de Deus;
e) quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a mocidade dura.

62 - (Fuvest) Assinale a alternativa incorreta:
O Barroco surgiu como a reação aos ideais da Idade Média e à
valorização demasiada da Antigüidade Clássica, apresentando:
a) a fusão do teocentrismo como o antropocentrismo.
b) predomínio do equilíbrio em todas as formas artísticas.
c) estilo rebuscado como manifestação de angústia.
d) predomínio de forma, cor e riqueza, em detrimento do conteúdo.
e) a fusão do pecado com o perdão.

63 - (UMC-SP) O culto do contraste, pessimismo, acumulação de elementos, niilismo temático, tendência para a descrição epreferência pelos aspectos cruéis, dolorosos, sangrentos e repugnantes, são características do:
a) Barroco.
b) Realismo.
c) Rococó.
d) Naturalismo.
e) Romantismo.


Gregório de Matos

64 - (PUC/Campinas-SP):
Observe os dois textos a seguir.
A
Ofendi-vos, meu Deus, é bem verdade,
É verdade, Senhor, que hei delinqüido,
delinqüido vos tenho, e ofendido,
ofendido vos tem minha maldade.
B
A cada canto um grande conselheiro
Que nos quer governar cabana e vinha,
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Os dois textos citados pertencem ao mesmo poeta e identificam:
a) texto A: gênero lírico-sacro; texto B: gênero satírico. São versos de Tomás Antônio Gonzaga, escritor barroco do século XVIII.
b) texto A: gênero lírico-religioso; texto B: gênero satírico. São versos de Santa Rita Durão, poeta lírico do Neoclassicismo.
c) texto A: poesia de caráter religioso; texto B: poesia de caráter social. São versos de Castro Alves, autor da segunda metade do século XIX, época do Ultra-Romantismo.
d) texto A: poesia que reconhece a condição pecadora do homem; texto B: versos satíricos. São versos de Gregório de Matos, autor da época barroca.
e) texto A: poesia do arrependimento; texto B: poesia satírica. São versos de José de Anchieta, na época do Quinhentismo.

65 - Identifique o tema de cada fragmento.

a) “Goza, goza da flor da mocidade
Que o tempo trota a toda ligeireza
E imprime em toda a flor sua pisada”.

b) “Arrependido estou de coração;
De coração vos busco, dai-me abraços
Abraços, que me rendam vossa luz”.

66 - (PUC-SP)
“Que falta nesta cidade? Verdade.
Que mais por sua desonra? Honra.
Falta mais que se lhe ponha? Vergonha
O demo a viver se esponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha”.
Pode-se reconhecer nos versos acima de Gregório de Matos:
a) o caráter do jogo verbal próprio do estilo barroco, a serviço de uma crítica, em tom de sátira, do perfil moral da cidade da Bahia.
b) o caráter de jogo verbal próprio da poesia religiosa do séculoXVI, sustentando piedosa lamentação pela falta de fé do gentio.
c) O estilo pedagógico da poesia neoclássica, por meio da qual o poeta se investe das funções de um autêntico moralizador.
d) O caráter de jogo verbal próprio do estilo barroco, a serviço da expressão lírica do arrependimento do poeta pecador.
e) O estilo pedagógico da poesia neoclássica, sustentando em tom lírico as reflexões do poeta sobre o perfil moral da cidade da Bahia.

67 - “Que os brasileiros são bestas
E estão sempre a trabalhar
Toda a vida por manter
Maganos de Portugal”

De acordo com a visão de Gregório de Matos, que tipo de atitude os brasileiros assumem em relação a Portugal?

68 - (FAAP-SP)
“ Eu sou aquele, que os passados anos
cantei na minha lira maldizente
Torpezas do Brasil, vícios e enganos”

Assim se apresenta, na sua obra satírica, esse poeta baiano do século XVII, autor também de poesia lírica e de poesia sacra. Trata-se de _______________, cuja obra ilustra o estiloe época _______________.

69 - “Teu rosto, por florido,
com belo rosicler 1 se vê luzido;
Teu peito a meus amores
Brota 2 agudos rigores;
Uniste enfim, por bens e penas minhas,
No rosto rosas e no peito espinhas 3.

O poema acima é cultista ou conceptista? Por quê?

Vocabulário
1 - da cor rósea da aurora; 2 - produz, faz brotar; 3 - espinhos; 4 - Maganos: pessoas de baixa origem.

(FDJ- BA-2003) Questões 70 a 72

Adeus, praia; adeus, cidade,
e agora me deverás,
a Deus, velhaca, dar eu
a quem devo ao demo dar.
Que agora que me devas
Dar-te a Deus, como quem cai,
Sendo que estás tão caída,
Que nem Deus te quererá.

MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. São Paulo: círculo do Livro, s/d. p. 163.

70 - Esse fragmento pertence a um poema de Gregório de Matos, em que o poeta, embarcando para o degredo, dirige-se à sua cidade (Salvador). No trecho, Salvador é vista sob uma perspectiva
01) saudosista.
02) depreciativa.
03) nacionalista.
04) de exaltação.
05) de indiferença.


71 - Na primeira estrofe, o pensamento do sujeito poético é construído através de um recurso estilístico conhecido por:
01) antítese.
02) anáfora.
03) metáfora.
04) hipérbole.
05) sinestesia.


72 -
"Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
A ti trocou-te a máquina mercante,
que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando e tem trocado
Tanto negócio e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz brichote.
Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!"

(MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos.São Paulo; Círculo do Livro, s/d. p. 30.)

No poema, o sujeito poético

01) ressalva o contraste existente entre o seu estado socioeconômico e o da Bahia.
02) vê a Bahia e a si mesmo como vítimas da esperteza de uma sociedade mercantilista.
03) invoca uma punição para a Bahia por ser ela culpada pelo estado em que hoje ele se encontra.
04) expressa uma expectativa de que sua relação com o mundo circundante se transforme para melhor.
05) focaliza os estados de riqueza e de pobre como realidade coexistente e perpetuadas no tempo.


Padre Vieira

73 - (Santa Casa-SP)
“Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas como os
pregadores fazem o sermão em xadrez de palavras. Se de uma
parte está branco, da outra há de estar negro; se de uma parte
está dia, da outra há de estar noite: se de uma parte dizem
luz, da outra hão de dizer sombra; se de uma parte dizem
desceu, da outra hão de dizer subiu. Aprendamos do céu o
estilo da disposição, e também o das palavras.”

No excerto acima, o Padre Vieira, condenando o abuso de ____________, critica alguns excessos de estilo ___________.
a) antíteses – barroco
b) metáforas – arcádico
c) metonímias – romântico
d) antíteses – arcádico
e) metonímias – barroco

74 - (FEBASP)
”Basta, senhor, que eu, por que roubo em uma barca, sou ladrão,
e vós porque roubais em uma armada sois imperador? Assim é.
O roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas,
o roubar com muito, os Alexandres... O ladrão que furta para comer,
não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas que levam, de
que eu trato, são os outros – ladrões de maior calibre e de mais alta
esfera.... os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades
e reinos; os outros furtam debaixo de seu risco, estes, sem temor
nem perigo; ou outros, se sem temor nem perigo, os outros, se
furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam.”

(Sermão do bom ladrão – Pe. Vieira)
Em relação ao estilo empregado por Vieira, neste trecho, pode-se afirmar:
a) O autor recorre ao cultismo da linguagem com o intuito de convencer o ouvinte e por isto cria um jogo de imagens.
b) Vieira recorre ao preciosismo da linguagem, isto é, através de fatos corriqueiros, cotidianos, procura converter o ouvinte.
c) Padre Vieira emprega, principalmente, o conceptismo, ou seja, o predomínio das idéias, da lógica, do raciocínio.
d) O pregador procura ensinar preceitos religiosos ao ouvinte, o que era prática comum entre os escritores gongóricos.
e) O pregador, fazendo uso do estilo cultista, tenta convencer o ouvinte a arrepender-se; do contrário iria para o inferno.

75 - (Fuvest-SP) A respeito do Padre Antônio Vieira, podese afirmar:
a) Embora vivesse no Brasil, por sua formação lusitana não se ocupou de problemas locais.
b) Procurava adequar os textos bíblicos às realidades de que tratava.
c) Dada sua espiritualidade, demonstrava desinteresse por assuntos mundanos.
d) Em função de seu zelo para com Deus, utiliza-o para justificar todos os acontecimentos políticos e sociais.
e) Mostrou-se tímido diante dos interesses dos poderosos.

76 - (UEL-PR) Nos sermões do Padre Vieira, o estilo barroco sustenta:
a) os ideais abolicionistas e republicanos.
b) denúncias contra movimentos emancipacionistas.
c) a propagação dos ideais da Reforma.
d) o entrelaçamento dos assuntos de fé aos históricos.
e) um lirismo amoroso atormentado pela culpa.

77 - (UFSCar)
“Será porventura o estilo que hoje se usa nos púlpitos um estilo tão empeçado, um estilo tão dificultoso, um estilo tão afetado, um estilo tão encontrado a toda parte e a toda a natureza? O estilo há de ser muito fácil e muito natural. Compara Cristo o pregar e o semear, porque o semear é uma arte que tem mais de natureza que de arte.”
(Padre Antônio Vieira)
O objetivo do autor é:
a) destacar que a naturalidade – propriedade da natureza – pode tornar mais claro o estilo das pregações religiosas.
b) salientar que o estilo usado na igreja, naquela época, não era afetado nem dificultoso.
c) argumentar que a lição de Cristo é desnecessária para os objetivos de pregação religiosa.
d) lamentar o fato de os sermões serem dirigidos dos púlpitos, excluindo da audiência as pessoas que ficavam fora da igreja.
e) mostrar que, segundo o exemplo de Cristo, pregar e semear afetam o estilo, porque são práticas inconciliáveis.

78 - (ITA) Marque a opção que identifica autor e período literário a que pertence o seguinte excerto:
"Esta foi a origem do pecado original e esta é a causa original das doenças do Brasil – tomar o alheio, cobiças, interesses, ganhos e conveniências particulares, por onde a justiça se não guarda e o Estado se perde. Perde-se o Brasil, Senhor (digamo-lo em uma palavra), porque alguns ministros (...) não vêm cá buscar o nosso bem, vêm cá buscar os nossos bens. Assim como dissemos que se perdeu o mundo, porque Adão fez só a metade do que Deus lhe mandou, em sentido averso – guardar sim, trabalhar não, assim podemos dizer que se perde também o Brasil porque alguns de seus ministros não fazem mais que a metade do que (...) lhes manda."
a) Lima Barreto - Pré-Modernismo
b) Padre Bernardes - Neoclassicismo.
c) Rui Barbosa - Modernismo.
d) Padre Vieira - Barroco.
e) Frei José de Santa Rita Durão - Arcadismo.

79 - (Enem - adaptado) Oxímoro (ou paradoxo) é uma construção textual que agrupa significados que se excluem mutuamente, ou seja, que se contradizem. Qual lhe parece ser o sentido implicado no comentário do Mago?
a) Políticos e criminosos se excluem mutuamente.
b) A guerra contra o crime é inútil.
c) Política e guerra são termos contraditórios.
d) É contraditório que políticos façam guerra contra si mesmos.
e) O crime nunca será vencido pelos políticos: isso é uma contradição.



Arcadismo Brasileiro – Poesia Lírica

(VUNESP-SP) As questões de números 80 e 81 tomam por base o fragmento seguinte:

Altéia

Aquele pastor amante,
Que nas úmidas ribeiras
Deste cristalino rio
Guiava as brancas ovelhas;
Aquele que, muitas vezes
Afinando a doce avena,
Parou as ligeiras águas,
Moveu as bárbaras penhas;
Sobre uma rocha sentado
Caladamente se queixa:
Que para formar as vozes,
Teme, que o ar as perceba.

(in Poemas de Cláudio Manuel da Costa. São Paulo: Cultrix, 1966, p. 156)

80 - Nesse fragmento do romance Altéia, de Cláudio Manuel da Costa, acumulam-se características peculiares do Arcadismo. Releia o texto que lhe apresentamos e, a seguir:

01 - Aponte duas dessas características.

02 - Justifique sua resposta com, pelo menos, duas citações do texto.

03 - Ainda em relação ao texto anterior, transcreva imagens “ da pedra”, tao comuns no autor.

04 - Retomando as estrofes das liras 58 e 94, transcritas na aula, como você explicaria o fato de Marília ora ser descrita como loura, ora como morena?

(UNESP-adaptada)
Instrução: As questões de 81 a 86 referem-se a um fragmento do poema satírico Cartas Chilenas, atribuído ao poeta neoclássico Tomás Antônio Gonzaga (1744 - 1810).

Cartas Chilenas

A lei do teu contrato não faculta
que possas aplicar aos teus negócios
os públicos dinheiros. Tu, com eles,
pagaste aos teus credores grandes somas!

Ordena a sábia junta que dês logo
da tua comissão estreita conta;
o chefe não assina a portaria,
não quer que se descubra a ladroeira,
porque te favorece, ainda à custa
dos régios interesses, quando finge
que os zela muito mais que as próprias rendas.
Por que, meu Silverino? Porque largas,
porque mandas presentes, mais dinheiro.
................................................
Agora, Fanfarrão, agora falo
contigo, e só contigo. Por que causa
ordenas que se faça uma cobrança
tão rápida e tão forte contra aqueles
que ao Erário só devem tênues somas?
Não tens contratadores, que ao rei devem
de mil cruzados centos e mais centos?
Uma só quinta parte que estes dessem,
não matava do Erário o grande empenho?
O pobre, porque é pobre, pague tudo,
e o rico, porque é rico, vai pagando
sem soldados à porta, com sossego!
Não era menos torpe, e mais prudente,
que os devedores todos se igualassem?
Que, sem haver respeito ao pobre ou rico,
metessem no Erário um tanto certo,
à proporção das somas que devessem?
Indigno, indigno chefe! Tu não buscas
o público interesse. Tu só queres
mostrar ao sábio augusto um falso zelo,
poupando, ao mesmo tempo, os devedores,
os grossos devedores, que repartem
contigo os cabedais, que são de reino.

(Tomás Antônio Gonzaga)

81 - O texto focaliza com ironia e humor, o problema da corrupção administrativa e econômica em sua época. Satiriza os desmandos do governador de Minas Gerais entre 1783 e 1788, Luís da Cunha Meneses, que aparece no texto sob ocriptônimo de Fanfarrão Minésio. Releia-o com atenção e, em seguida:

a) Cite uma passagem do trecho de Cartas Chilenas em que se caracteriza malversação de recursos públicos pela personagem;

b) Interprete a passagem compreendida entre os versos de números 26 e 30, relacionando-se com o tema da “justiça fiscal”, defendida por muitos políticos e economistas atuais.

82 -
Se sou pobre pastor, se não governo
Reinos, nações, províncias, mundo e gentes;
Se em frio, calma e chuvas inclementes
Passo o verão, outono, estio, inverno;
Nem por isso trocara o abrigo terno
Dessa choça, em que vivo, co’as enchentes
Dessa grande fortuna: assaz presentes
Tenho as paixões desse tormento eterno,
Adorar as traições, amor e engano,
Ouvir dos lastimosos o gemido,
Passar aflito o dia, mês e o ano.
Seja embora prazer; que ao meu ouvido
Soe melhor a voz do desengano
Que da torpe lisonja o infame ruído.

Sobre esse soneto de Cláudio Manuel da costa, podemos dizer que:

I ) Apresenta características árcades, tais como o ideal de simplicidade e naturalidade.
II) É um poema de características barrocas, cujo tema é a crítica à vaidade humana.
III) O eu-lírico opta por uma vida de isolamento junto à natureza, em detrimento de uma vida de fortuna, cheia de lisonjas, mas de possíveis traições.
IV) O eu-lírico expressa a dúvida, pois tem a opção de trocar a vida sossegada no campo, por uma vida agitada na cidade.

Estão corretas apenas as afirmações:

a) I e IV.
b) II e III.
c) II e IV.
d) I e III.
e) Nenhuma afirmação está correta.

83 - Sobre o Arcadismo, é correto afirmar:
a) A preocupação com a simplicidade leva o escritor a escolher temas de caráter religioso.
b) O pastoralismo, uma das principais manifestações da naturalidade, reproduz fielmente a vida no campo.
c) Entre as convenções do pastoralismo, está a utilização de uma linguagem simples que reproduz a linguagem rude dos pastores.
d) Propõe um retorno à ordem e à naturalidade, tendo por modelo a literatura clássica, em oposição ao artificialismo barroco.
e) A linguagem, adequada e quase sem ornamentos, retrata realisticamente intensas emoções de dor e alegria.

84 - (Vunesp) Há no Arcadismo brasileiro uma obra satírica de forma epistolar que suscitou dúvidas de autoria durante mais de um século. Assinale abaixo a alternativa que apresenta o nome correto dessa obra e seu autor mais provável.
a) O reino da estupidez e Francisco de Meto Franco.
b) Viola de Gereno e Domingos Caldas Barbosa.
c) O desertor e Manuel Inácio da Silva Alvarenga.
d) Cartas chilenas e Tomás Antônio Gonzaga.
e) Os Bruzundangas e Lima Barreto.

85 - (UFMG)
“Apenas, Doroteu, o nosso chefe
As rédeas manejou do seu governo,
Fingir nos intentou que tinha uma alma
Amante da virtude. Assim foi Nero.”

O trecho acima pertence a:
a) Obras, de Cláudio M. da Costa.
b) Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga.
c) Cartas Chilenas, de Tomás Antônio Gonzaga.
d) Poesias satíricas, de Gregório de Matos.
e) O Uraguai, de Basílio da Gama.

86 - (PUC-SP) Pode-se afirmar que Marília de Dirceu e as Cartas Chilenas são, respectivamente:
a) altas expressões do lirismo amoroso e da sátira política, na literatura do século XVIII.
b) exemplos de poesias biográficas e da literatura epistolar cultivadas no século XVII.
c) exemplos de lirismo amoroso e da poesia de combate, cultivados sobretudo pelos poetas românticos da chamada “terceira geração”.
d) altas expressões do lirismo e da sátira da nossa poesia barroca.
e) expressões menores da prosa e da poesia de nosso Arcadismo, cultivadas no interior das Academias.

87 - (UEL-PR) As Cartas Chilenas, longo poema de Tomás Antônio Gonzaga, são introduzidas pelo autor com a seguinte nota:
a) Aqui se fala da opulência e dos vícios de uma terra outra, que cá não se encontram.
b) Em que se homenageia a revolução chilena, digna de imitar-se ao fim deste século XVII.
c) Em que o poeta Critilo conta a Doroteu os fatos de Fanfarrão Minésio, Governador de Chile.
d) Marília minha, eis o dote pobre de poeta, que te saberá a riquezas se te chegarem ao coração, em Chile.
e) De Glauceste Satúrnio a Claúdio, por viagens lembradas,em lira que o Amor rende homenagem.

88 -
“Que diversas que são, Marília, as horas
Que passo na masmorra imunda, e feia,
Dessas horas felizes já passadas
Na tua pátria aldeia!”

Esses versos de Marília de Dirceu caracterizam:
a) a primeira parte da obra, o namoro.
b) a felicidade da futura família.
c) a segunda parte da obra, a cadeia.
d) o sonho de realizar a Inconfidência.
e) o sonho de um futuro feliz ao lado da amada.

89 - (PUC-SP)
“Acaso são estes
os sítios formosos,
aonde passava
os anos gostosos?
São estes os prados,
aonde brincava,
enquanto pastava
o manso rebanho,
que Alceu me deixou?”

Os versos, de Tomás Antônio Gonzaga, são expressões de um movimento estético em que o poeta:
a) buscava a expressão para o sentimento religioso associado à natureza, revestindo freqüentemente o poema do tom solene da meditação.
b) tentava exprimir a insatisfação do mundo contemporâneo, dava grande ênfase à vida sentimental, tornando o coração a medida mais exata de sua existência.
c) buscava a “naturalidade”. O que havia de mais simples, mais “natural”, que a vida dos pastores e a contemplação direta da natureza?
d) tinha predileção pelo soneto, exercitando a precisão descritiva e dissertativa, o jogo intelectual, a famosa “chave de ouro”.
e) acentuava a busca da elegância e do requinte formal, perdendo-se na minúcia descritiva dos objetos raros: vasos, taças, leques.

90 - (UFV-MG)
O povo, Doroteu, é como as moscas,
Que correm ao lugar, onde sentem
O derramado mel; é semelhante
Aos corvos e aos abutres que se ajuntam
Nos ermos, onde fede a carne podre.
À vista pois dos fatos, que executa
O nosso grande Chefe, decisivos
Da piedade, que finge, a louca gente
De toda a parte corre a ver se encontra
Algum pequeno alívio à sombra dele.

(Cartas Chilenas)

Assinale a alternativa que não corresponde ao texto:
a) O fragmento do poema faz parte do conjunto das 13 cartas remetidas a Doroteu e assinadas por Critilo.
b) Para o poeta, o povo é um espectador passivo, gravitando cegamente em torno do chefe autoritário como “moscas” ou “abutres”.
c) O texto constitui uma sátira fortíssima à “servidão voluntária” do povo ao governo.
d) A expressão “nosso grande Chefe” visa a ridicularizar o corrupto governador mineiro Luís da Cunha Meneses.
e) O objetivo das Cartas é despertar a piedade do povo para com os governantes.


Arcadismo Brasileiro – Poesia Épica

91 - “Tanto a busca da simplicidade formal quanto a da clareza e eficácia das idéias se ligam ao grande valor dado à natureza, como base da harmonia e da sabedoria. Daí o apreço pela convenção pastoral, isto é, pelos gêneros bucólicos que visam representar a inocência e a sadia rusticidade pelos costumes rurais, sobretudo dos pastores.”
(A. Candido & A. Castello )
Esse excerto relaciona-se a um determinado estilo literário. Assinale, então, o autor que não pertence ao estilo em questão.
a) Tomás Antônio Gonzaga.
b) Cláudio M. da Costa.
c) Santa Rita Durão.
d) Manuel Botelho de Oliveira.
e) Basílio da Gama.

92 - (ESAN-SP) Assinale a alternativa correta quanto a autores e obras neoclássicas ou arcádicas:
a) Vila Rica (1839), poema épico que trata da descoberta do ouro em Minas Gerais e a fundação de Vila Rica. Autoria: Claúdio Manuel da Costa.
b) “Minha bela Marília, tudo passa;
A sorte deste mundo é mal segura;
Se vem depois dos males a ventura;
Vem depois dos prazeres a desgraça.”
Fragmento de Marília de Dirceu (1792).
(Tomás Antônio Gonzaga).
c) Frei Santa Rita Durão, a exemplo de Os Lusíadas, de Camões, compõe Caramuru (1781), em dez cantos, em oitava rima, observando as unidades tradicionais: proposição, invocação, dedicatória, narrativa e epílogo.
d) O Uraguai (1769) é poema épico escrito por Basílio da Gama. Rompe o modelo camoniano, pois está dividido em cinco cantos, com estrofação livre e versos brancos.
e) Todas são corretas.

93 - Marque a opção que identifica autor, obra e escola a que pertence o seguinte trecho.
“Inda conserva o pálido semblante
Um não sei quê de magoado e triste,
Que os corações mais duros enternece.
Tanto era bela no seu rosto a morte!”

a) Gonçalves Dias / I – Juca Pirama / Romantismo.
b) Castro Alves / Vozes d’África / Romantismo.
c) Santa Rita Durão/Caramuru / Arcadismo.
d) Basílio da Gama / O Uraguai / Arcadismo.
e) n.d.a.

94 - (Vunesp) “Quem vê girar a serpe da irmã no casto seio, / Pasma, e de ira e temor ao mesmo tempo cheio / Resolve, espera, teme, vacila, gela e cora, / Consulta o seu amor e o seu dever ignora. / Voa a frapada seta da mão, que não se engana; / Mas ai, que já não vives, ó miséria indiana!”
Nesses versos de Silva Alvarenga, poeta árcade e ilustrado, faz-se alusão ao episódio de uma obra em que a heroína morre.
Assinale a alternativa correta em que se mencionam o nome
da heroína (1), o título da obra (2) e o nome do autor (3).
a) (1) Moema; (2) Caramuru; (3) Santa Rita Durão.
b) (1) Marabá; (2) Marabá; (3) Gonçalves Dias.
c) (1) Lindóia; (2) O Uraguai; (3) Basílio da Gama.
d) (1) Iracema; (2) Iracema; (3) José de Alencar.
e) (1) Marília; (2) Marília de Dirceu; (3) Tomás Antônio Gonzaga.

95 - (UME-SP) Sobre o poema O Uraguai, é correto afirmar que:
a) o herói do poema é Diogo Álvares, responsável pela primeira ação colonizadora na Bahia.
b) o índio Cacambo, ao saber da morte de sua amada, Lindóia, suicida-se.
c) escrito em plena vigência do Barroco, filiou-se à corrente cultista.
d) os jesuítas aparecem como vilões, enganadores dos índios.
e) segue a estrutura épica camoniana, com versos decassílabos e estrofes em oitava rima.

96 -
I) “O momento ideológico, na literatura do Setecentos, traduz a crítica da burguesia culta aos abusos da nobreza e do clero.”
II) “O momento poético, na literatura do Setecentos, nasce de um encontro, embora ainda amaneirado, com a natureza e aos afetos comuns do homem.”
III) “Façamos, sim, façamos, doce amado, Os nossos breves dias mais ditosos”. A característica que está presente nesses versos é o carpe diem (“gozar a vida”).
a) Só a proposição I é correta.
b) Só a proposição II é correta.
c) Só a proposição III é correta.
d) São corretas as proposições I e II.
e) Todas as proposições são corretas.

97 - (Fatec-SP) Sobre o arcadismo brasileiro só não se pode afirmar que:
a) tem suas fontes nos antigos grandes autores gregos e latinos, dos quais imita os motivos e as formas.
b) teve em Cláudio Manuel da Costa o representante que, de forma original, recusou a motivação bucólica e os modelos comonianos da lírica amorosa.
c) nos legou os poemas de feição épica Caramuru, de Frei José de Santa Rita Durão e O Uraguai, de Basílio da Gama, no qual se reconhece qualidade literária dastacada em relação ao primeiro.
d) norteou, em termos de valores estéticos básicos, a produçao dos versos de Marília de Dirceu, obra que celebrizou Tomás Antônio Gonzaga e que destaca a originalidade de estilo e de tratamento local dos temas dado pelo autor.
e) apresentou uma corrente de conotação ideológica, envolvida com as questões sociais do seu tempo, com a crítica aos abusos de poder da Coroa Portuguesa.

98 - Procurando seguir a forma da epopéia clássica, o autor relata a vida de um náufrago português entre os índios. Na segunda parte da obra, a história do Brasil é apresentada desde o descobrimento até as invasões holandesas através da perspectiva do próprio índio.
A afirmação acima diz respeito à obra de:
a) História da América Portuguesa, de Sebastião da Rocha Pita.
b) Ilíada, de Homero.
c) O Uraguai, de Basílio da Gama.
d) Os Lusíadas, de Luiz Vaz de Camões.
e) Caramuru, de Frei Santa Rita Durão.


Arcadismo – Bocage

99 - (Santa Casa)
I
É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.
II
Depois que nos ferir a mão da morte,
ou seja, neste monte, ou noutra serra,
nossos corpos terão, terão a sorte
de consumir os dous a mesma terra.
O texto I é barroco; o II é arcádico. Comparando-os, é possível afirmar que os árcades optaram por uma expressão:
a) impessoal e, portanto, diferenciada do sentimentalismo barroco, em que o mundo exterior era projeção do caos interior do poeta.
b) despojada das ousadias sintáticas da estética anterior, com predomínio da ordem direta e de vocábulos de uso corrente.
c) que aprofunda o naturalismo da expressão barroca, fazendo que o poeta assuma posição eminentemente impessoal.
d) em que predominam, diferentemente do Barroco, a antítese, a hipérbole, a conotação poderosa.
e) em que a quantidade de metáforas e de torneios de linguagem supera a tendência denotativa do Barroco.

100 -
I) Carpe diem, inutilia truncat, fugere urbem são termos latinos que embasam o estilo de época árcade ou neoclássico.
II) O Barroco é um estilo de época marcado pelo equilíbrio, pela sobriedade de formas e pela ausência de recursos sonoros em sua manifestação poética.
III) O século XVI, início da literatura no Brasil, é marcado pelo aspecto informativo e pelo aspecto doutrinário.
a) I e II corretas.
b) II e III corretas.
c) I e III corretas.
d) todas corretas.
e) todas erradas.

101 - (Mackenzie) Uma das afirmações abaixo não se refere ao Neoclassicismo nem se relaciona com seu contexto histórico- social. Aponte-a.
a) “O poeta que não seguir os Antigos perderá de todo o norte, e não poderá jamais alcançar naquela força, energia e majestade que nos retratam o famoso e angélico semblante da Natureza.
Devemos imitar e seguir os antigos: assim no-lo ensina Horácio, no-lo dita a razão; e o confessa todo o mundo literário.”
b) “Este é o chamado Século das Luzes, na medida exata em que se opõe a um certo obscurantismo do século anterior e propaga a ciência, o saber e o progresso: Iluminismo, Ilustração, Enciclopedismo.”
c) “Nomear um objeto significa suprimir as três quartas partes do gozo de uma poesia, que consiste no prazer de adivinhar pouco a pouco. Sugerir, eis o sonho.”
d) “... recriam, em seus textos, as paisagens campestres de outras épocas, com pastores e pastoras cantando e vivendo uma existência sadia e amorosa, preocupados apenas em cuidar de
seus rebanhos.”
e) “A arte deveria ser universal, isto é, preocupar-se com problemas, verdades e situações eternas do homem, do homem de todos os tempos, e não se limitar a sentimentos de ordem individual ou a situações puramente pessoais.”

102 - A pastora Marília, conforme nos é apresentada nas Liras de Tomás Antônio Gonzaga, carece de unidades de enfoques; por isso é muito difícil precisar, por exemplo, seu tipo físico. Essa imprecisão da pastora:
a) é suficiente para seu autor ser apontado como pré-romântico.
b) é fundamental para situar o leitor dentro do drama amoroso do autor.
c) reflete o caráter genérico e impessoal que a poesia neoclássica deveria assumir.
d) é responsável pela atmosfera do mistério, essencial para a poesia neoclássica.
e) mostra a intenção do autor em não revelar o objeto do seu amor.

103 - (Fuvest) “Por fim, acentua o polimorfismo cultural dessa época o fato de se desenrolarem acontecimentos historicamente relevantes, como a Inconfidência Mineira e a transladação da corte de D. João VI para o Rio de Janeiro.”
(Massaud Moisés)
A época histórica a que se refere o crítico é a do:
a) Simbolismo.
b) Arcadismo.
c) Parnasianismo.
d) Realismo.
e) Romantismo.

104 - “A ciência e o racionalismo constituem as ‘luzes’ com que se costuma caracterizar o século. Razão que ‘ilumina’, que ilustra, que esclarece os homens, que os conduz ao progresso. Daí as palavras ‘Iluminismo’ e ‘Ilustração’, que caracterizam as manifestações culturais do momento, o conjunto de tendências características do século.”
O texto refere-se:
a) ao século XVI, correspondente ao florescimento da literatura informativa no Brasil.
b) ao século XVII, momento em que se cultiva a literatura barroca.
c) ao século XVIII, época que se identifica com o Neoclassicismo.
d) às primeiras décadas do século XIX, quando se instaura o Realismo na literatura brasileira.
e) à última década do século XIX, correspondente à vigência da literatura simbolista.

105 - Sobre o Arcadismo, é correto afirmar:
a) O exacerbado senso nacionalista é marca típica do Arcadismo, daí sua associação a movimentos de libertação nacional nas Américas.
b) O Iluminismo influencia tanto o barroco quanto o Arcadismo, daí que o segundo é uma extensão das idéias do primeiro.
c) O Arcadismo surge em reação ao Barroco e, em decorrência disso, afasta-se de qualquer tendência filosófica.
d) O Arcadismo está associado ao movimento filosófico que marcou o século XVIII, chamado Iluminismo, cujas palavras-chave são razão e ciência.
e) O Arcadismo, que apareceu num período de intenso progresso científico, estava assentado em leis deterministas e positivistas.

106 - (Mackenzie-SP) Dos versos a seguir, quais não pertencem ao movimento árcade?
a) “Das brancas ovelhinhas tiro o leite, / e mais as finas lãs, de que me visto.”
b) “Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada, / Cobrai-a; e não queirais, pastor divino. / Perder na vossa ovelha a vossa glória.”
c) “Sou Pastor, não te nego; os meus montados são esses, que aí vês; vivo contente ao trazer entre a relva florescente a doce companhia dos meus gados;”
d) “São estes os prados, / aonde brincava, / enquanto pastava, / o manso rebanho / que Alceu me deixou?”
e) “Se de soneto és amante, / Seja sempre pastoril, / Que sem cajado e rabil, / O soneto mais galante Não tem valor de ceitil.”


107 - (Univ. de Taubaté-SP) O Arcadismo foi um movimento literário que propunha o seguinte ideário:
I) A vida é breve e a felicidade humana é efêmera.
II) A emoção deve nortear o poeta na abordagem do amor ideal.
III) Deve-se usufruir o momento presente.
IV) Deve-se valorizar a razão e a simplicidade.
Dessas afirmações:
a) apenas I é correta.
b) apenas II é correta.
c) apenas I, III e IV são corretas.
d) apenas III e IV são corretas.
e) todas são corretas.

Romantismo Português

108 - Com relação a Júlio Dinis, assinale a alternativa incorreta.
a) Sua novela campesina identifica-se com o momento de transição do Romantismo para o Realismo.
b) Sua obra apresenta a fusão do idealismo romântico com a capacidade de observação dos autores do Realismo.
c) Seus enredos baseiam-se em histórias de amor eterno, tendo sempre um obstáculo intransponível a separar as vítimas da paixão.
d) O idealismo romântico de Júlio Dinis é atenuado, sem destemperos sentimentais.
e) Seus personagens não apresentam tristezas súbitas, nem grandes devaneios, mas amam, amam verdadeiramente.

109 - Quanto a Camilo Castelo Branco, assinale a alternativa incorreta:
a) Suas novelas passionais tematizam amores impossíveis, com desfechos de tragédias.
b) Eusébio Macário, romance da terceira fase antecipa elementos do Realismo.
c) O tempo que estudou Medicina exerce influência nos romances da primeira fase.
d) Os romances da segunda fase tipificam os ideais da burguesia inglesa.
e) Em sua fase ultra-romântica, a morte e o ingresso no convento são saídas para os conflitos sentimentais.

110 - Sobre Camilo Castelo Branco, não se pode afirmar que:
a) foi polígrafo, com extensa produção literária;
b) tematizou a época medieval portuguesa, recriando heróis ligados a formação histórica de seu país;
c) escreveu novelas passionais e satíricas;
d) antecipou o realismo em algumas de suas obras;
e) o tema de suas novelas passionais é, fundamentalmente, o amor.


111 - (UEL-PR) O romance é um gênero literário que veio a se desenvolver no século .........., retratando sobretudo ..........; era muito comum publicar-se em partes, nos jornais, na forma de .......... .
Preenchem corretamente as lacunas do texto acima, pela ordem:
a) XVI – a alta aristocracia – o conto.
b) XVIII – o mundo burguês – folhetim.
c) XVIII – o mundo burguês – crônica.
d) XIX – o mundo burguês – folhetim.
e) XIX – a alta aristocracia – crônica.

112 - (Mackenzie-SP) “Autor de uma vastíssima obra, toda ela orientada pelo espírito histórico, mesmo quando escreve romances, o pano de fundo é a história, da qual foi um profundo estudioso.”
Em se tratando do Romantismo português, o trecho acima refere-se a:
a) Alexandre Herculano.
b) Júlio Dinis.
c) Almeida Garret.
d) Camilo Castelo Branco.
e) Antero de Quental.

113 - Fazendo um paralelo entre o Romantismo e o Arcadismo, podemos concluir que:
a) o Arcadismo prenuncia o Romantismo por que já apresenta ruptura radical com os cânones literários clássicos.
b) o Arcadismo antecede o Romantismo na evasão da realidade pelo sonho, pela fantasia e pelo mergulho nas profundezas do “eu”.
c) o Romantismo prolonga aspectos do Arcadismo na idealização da natureza, da mulher e do amor.
d) o Romantismo dá continuidade ao Arcadismo na atração pelos conflitos entre a alma e a matéria.
e) o Arcadismo e o Romantismo perseguem o ideal de expressão livres de esquemas pré-estabelecidos.

114 - O Romantismo, graças à ideologia dominante e a um complexo conteúdo artístico, social e político, caracteriza-se como uma época propícia ao aparecimento de naturezas humanas marcadas por:
a) teocentrismo, hipersensibilidade, alegria, otimismo e crença.
b) etnocentrismo, insensibilidade, descontração, otimismo e crença na sociedade.
c) egocentrismo, hipersensibilidade, melancolia, pessimismo, angústia e desespero.
d) teocentrismo, insensibilidade, descontração, angústia e desesperança.
e) egocentrismo, hipersensibilidade, alegria, descontração e crença no futuro.


115 - (FEI-SP) Assinale o item que contém somente características românticas:
a) Subjetivismo, bucolismo, sentimentalismo.
b) Subjetivismo, nacionalismo, pastoralismo.
c) Culto à natureza, nacionalismo, culto ao contraste.
d) Conceitismo, liberdade de formas, cultismo.
e) Nacionalismo, culto à natureza, liberdade de formas.

116 - (ENEM/2001) No trecho abaixo, o narrador, ao descrever a personagem, critica sutilmente um outro estilo da época: o romantismo.
“Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos;
era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a
mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza,
entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o
autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas;
mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou
espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia
daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro
indivíduo, para os fins secretos da criação.”

(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: jackson, 1957)
A frase do texto em que se percebe a crítica do narrador ao romantismo está transcrita na alternativa:
a) ...o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas...
b) ...era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça...
c) Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno,...
d) Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos...
e) ...o indivíduo passa a outro indivíduo, para fins secretos da criação.


Romantismo Brasileiro

117 -
Valente na guerra
Quem há, como eu sou?
Quem vibra o tacape
Com mais valentia?
Quem golpes daria
Fatais como eu dou?
– Guerreiros, ouvi-me;
– Quem há, como eu sou?
A estrofe transcrita faz parte do poema “O Canto do Guerreiro“, de Gonçalves Dias. Tendo-se em vista o indianismo romântico.
a) pode-se considerar a estrofe como expressão verdadeira da realidade indígena.
b) pode-se considerar a estrofe como uma imagem idealizada do índio.
c) pode-se considerar a estrofe como verdadeira expressão épica do condoreirismo.
d) pode-se considerar a estrofe como uma falsa imagem do índio, típica do misticismo.
e) pode-se considerar a estrofe como uma imagem do índio típico daqueles que seguiam a filosofia epicurista.

Instrução: O texto a seguir, de Álvares de Azevedo, refere-se às
questões de números 118 e 119.

Satã leve a tristeza! Olá, meu pajem,
Derrama no meu corpo as gotas últimas
Desta garrafa negra...
Eia! Bebamos!
És o sangue do gênio, o puro néctar
Que as almas de poeta diviniza,
O condão que abre o mundo das magias!
Vem, fogoso cognac! É só contigo
Que sinto-me viver. [...]


118 - Considere as afirmações acerca do poema:
I. Os versos permitem concluir que, para o sujeito lírico, o poema é uma inspiração divina.
II. No poema, o álcool é concebido como fonte de vida e inspiração.
III. O caráter “maldito” do poema é dado pela blasfêmia e pelo elogio da embriaguez.

Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e III.
e) Apenas II e III.

119 - Das características do Romantismo listadas a seguir, destaque as que estão presentes no texto.
1. Tematização de estado “selvagens” como a loucura, a embriaguez.
2. Saudosismo.
3. Desejo de fuga, de evasão à realidade vulgar.
4. Repúdio à supremacia da razão.
5. Culto da solidão.
A resposta correta é:
a) 1 - 2 - 4
b) 1 - 3 - 4
c) 2 - 4 - 5
d) 1 - 2 - 5
e) 2 - 3 – 5

120 - (Fuvest-2001)
Teu romantismo bebo, ó minha lua,
A teus raios divinos me abandono,
Torno-me vaporoso ... é só de ver-te
Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.
(Álvares de Azevedo, “Luar de verão”, Lira dos vinte anos)
Neste excerto, o eu-lírico parece aderir com intensidade aos
temas de que fala, mas releva, de imediato, desinteresse e tédio.
Essa atitude de eu-lírico manifesta a
a) ironia romântica.
b) tendência romântica ao misticismo.
c) melancolia romântica.
d) aversão dos românticos à natureza.
e) fuga romântica para o sonho.

121 - (Vunesp) Baseando-se na leitura do texto de Álvares de Azevedo, assinale a única alternativa correta:
“Junto a meu leito, com as mãos unidas,
Olhos fitos no céu, cabelos soltos,
Pálida sombra da mulher formosa
Entre nuvens azuis pranteia orando.
É um retrato talvez. Naquele seio
Porventura sonhei doiradas noites.
Talvez sonhando desatei sorrindo
Alguma vez nos ombros perfumados
Esses cabelos negros, e em delíquio
Nos lábios dela suspirei tremendo.
Foi-se minha visão. E resta agora
Aquele vaga sombra na parede
– Fantasma de carvão e pó cerúleo,
Tão vaga, tão extinta fumarenta
Como de um sonho o recordar incerto.”

(Alvares de Azevedo, Idéias íntimas)

a) Considerando os aspectos temáticos e formais do poema, pode-se vinculá-lo ao segundo momento do movimento romântico brasileiro, também conhecido como “geração do spleen” ou “mal-do-século”.
b) A presença da mulher amada torna-se o ponto central do poema. Isso é claramente manifestado pelas recordações do eu-lírico, marcado por um passado vívido, que sempre volta
em imagens e sonhos.
c) O texto reflete um articulado jogo entre o plano do imaginário e o plano real. Um dos elementos, entre outros, que articula essa construção é a alternância dos tempos verbais presente/ passado.
d) Realidade e fantasia tornam-se a única realidade no espaço da poesia lírica romântica, gênero privilegiado dentro desse movimento.
e) Apesar de utilizar decassílabos, esse poema possui o andamento próximo da prosa. Esse aspecto é importante para intensificar certo prosaísmo intimista da poesia romântica.

122- (Fatec-SP) “O indianismo dos românticos [...] denota tendência para particularizar os grandes temas, as grandes atitudes de que se nutria a literatura ocidental, inserindo-as na realidade local, tratando-as como próprias de uma tradição brasileira.”
(Antonio Candido - Formação da literatura brasileira)
Considerando-se o texto acima, pode-se dizer que o indianismo na literatura romântica brasileira:
a) procurou ser uma cópia dos modelos europeus.
b) adaptou a realidade brasileira aos modelos europeus.
c) ignorou a literatura ocidental para valorizar a tradição brasileira.
d) deformou a tradição brasileira para adaptá-la à literatura ocidental.
e) procurou adaptar os modelos europeus à realidade local.

123 - (Mackenzie)
Texto 1
Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra
são pretos que vivem em torres de ametista,
os sargentos do exército são monistas, cubistas,
os filósofos são polacos vendendo à prestações.
A gente não pode dormir
com os oradores e os pernilongos.
Os sururus em família têm por testemunha a [Gioconda.
Eu morro sufocado em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas são gostosas
mas custam mais de cem mil-réis a dúzia.
Ai quem me dera chupar carambola de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade.

(Murilo Mendes)

Texto 2
lá?
ah
sabiá...
papá...
maná...
sofá...
sinhá...
cá?
bah?

(José Paulo Paes)

Os textos acima parodiam importante poema de nossa literatura, cujo autor foi:
a) Álvares de Azevedo
b) Gonçalves Dias
c) Fagundes Varela
d) Gonçalves de Magalhães
e) Casimiro de Abreu

124 - (Mackenzie)

Um índio
um índio descerá
de uma estrela colorida brilhante
de uma estrela que virá
numa velocidade estonteante
e pousará no coração do hemisfério sul
na América num claro
instante
(...)
virá
impávido que num Muhammad Ali
virá que eu vi
apaixonadamente como Peri
virá que eu vi
stranqüilo e infalível como Bruce Lee
virá que eu vi
o aché do afoxé filhos de Ghandi
virá


(Caetano Veloso)

O trecho acima mostra, por uma visão contemporânea, determinado tipo de tratamento dado ao índio brasileiro em certo período da nossa literatura. Assinale a alternativa em que aparecem os nomes de dois autores que manifestaram tal incidência.
a) Santa Rita Durão e Casimiro de Abreu.
b) Gonçalves de Magalhães e Álvares de Azevedo.
c) Gonçalves Dias e Castro Alves.
d) Fagundes Varela e Visconde de Taunay.
e) Gonçalves Dias e José de Alencar.

125 - (Cesgranrio) “Dei o nome de Primeiros cantos às poesias que agora publico, porque [...] espero que não serão as últimas. Muitas delas não têm uniformidade nas estrofes, porque menosprezo regras de mera convenção; adotei todos os ritmos de metrificação portuguesa, e usei deles como me pareceram quadrar melhor com o que eu pretendia exprimir. Não têm unidade de pensamento entre si, porque foram compostas em épocas diversas – debaixo de céu diverso – e sob a influência de impressões momentâneas. [...]
Com a vida isolada que vivo, gosto de afastar os olhos de sobre a nossa arena política para ler em minha alma, reduzindo à linguagem harmoniosa e cadente o pensamento que me vem de improviso e as idéias que em mim desperta a vista de uma paisagem ou do oceano – o aspecto enfim da natureza. Casar assim o pensamento com o sentimento – o coração com o entendimento
– a idéia com a paixão – colorir tudo isto com a imaginação, fundir tudo isto com a vida e com a natureza, purificar tudo com o sentimento da religião e da divindade, eis a Poesia – a Poesia grande e santa – a Poesia como eu a compreendo sem a poder definir, como eu a sinto sem a poder traduzir.”

(Gonçalves Dias - “Prólogo aos primeiros cantos”)

Assinale o que contraria as idéias contidas nos três primeiros parágrafos em relação a Gonçalves Dias.
a) A poesia reflete os mais variados estados de espírito do poeta, sendo fruto da emoção momentânea.
b) As suas poesias não apresentam apego à rigidez métrica, apresentando ritmos variados.
c) Apesar de terem sido escritas em épocas diversas, constata-se a unidade de pensamento em suas poesias.
d) Por serem fruto de criações influências locais distintas, suas poesias apresentam-se diferenciadas.
e) A força poética de seus versos realiza-se na perfeita harmonia entre forma e conteúdo.

Texto para a próxima questão

Eu amo a noite taciturna e queda!
Então parece que da vida as fontes
Mais fáceis correm, mais sonoras soam,
Mais fundas se abrem;
Então parece que mais pura a brisa
Corre, – que então mais funda e leve
a fonte
Mana, – e que os sons então mais
doce e triste
Da música se espargem.
(Gonçalves Dias)

126 - (Mackenzie-SP) Assinale a alternativa incorreta.
a) O ritmo regular dos versos decassílabos ajuda a construir a idéia da serena grandiosidade da noite.
b) O quarto e o oitavo versos encerram cada sequência gloriosa que a noite abarca: aquele, os dons das fontes; este, a ação da brisa, da fonte e da música.
c) A descrição das ações das “fontes de vida”, na primeira estrofe, faz-se com o auxílio sintático de um polissíndeto.
d) “doce e triste”, no sétimo verso, podem ser lidos como “docemente” e “tristemente”, devido ao fato de permanecerem no singular.
e) A repetição de “então” é o fator de coesão textual, recuperando sempre o termo “noite”.

Texto para questões 127 e 128.
(UFV-MG) Observe com atenção o fragmento abaixo:

I – Juca Pirama (fragmento)
No meio das tabas de amenos verdores,
Cercados de troncos – cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra que em densas coortes
Assombram das matas e imensa extensão.
São rudos, severos, sedentos de glórias,
Já prélios incitam, já cantam vitória,
Já meigos atendem à voz do cantor:
São todos Timbiras, guerreiros valentes!
Seu nome lá voa na boca das gentes,
Condão de prodígios, de glória e terror!
[...]

(Gonçalves Dias)

127 - Reflita sobre as tendências da poesia romântica indianista e assinale a alternativa que não confirma a visão idealizada do poeta em ralação ao indígena brasileiro.
a) O índio de Gonçalves Dias ganhou o tom dos valorosos cavaleiros medievais e reafirmou o sentimento nacionalista de nosso Romantismo.
b) “I – Juca Pirama” expressa o nacionalismo de seu autor, que, ao idealizar a coragem e o heroísmo do índio brasileiro, atribui-lhe também alguns distúrbios de personalidade.
c) O poeta gançalvino enalteceu e preservou as tradições indígenas brasileiras, incorporando-as ao orgulho nacional.
d) O poeta romântico transformou o silvícola em um dos símbolos da autonomia cultural e da superioridade da nação brasileira.
e) A poesia romântica indianista resgatou o passado histórico do Brasil e valorizou a bravura de seus habitantes naturais.

128 - Do texto citado, assinalar a alternativa correta.
a) Trata-se de um poema que apresenta toda a força do sentido trágico das posturas típicas do ultra-romantismo.
b) Trata-se de um texto em que o poeta exalta o índio, símbolos da terra do porvir e da nacionalidade.
c) É um poema típico da terceira geração romântica, pelo uso de exclamações e de adjetivos.
d) É um texto que apresenta o egocentrismo manifestado pela presunção da glória da nação Timbira.
e) Os timbiras e a grande extensão das matas, onde estão localizadas as tabas, são “condão de prodígios, de glórias e terror!”

129 - (ENEM/2001) Os textos referem-se à integração do índio à chamada civilização brasileira.

I - “Mais uma vez, nós, os povos indígenas, somos vítimas de um pensamento que separa e que tenta nos eliminar cultural, social e até fisicamente. A justificativa é a de que somos apenas 250 mil pessoas e o Brasil não pode suportar esse ônus (...) É preciso congelar essas idéias colonizadoras, porque elas são irreais e hipócritas e também genocidas. (...) Nós, índios, queremos falar, mas queremos ser escutados na nossa língua, nos nossos costumes.”
(Marcos Terena, presidente do Comitê Intertribal Articulador dos Direitos Indígenas na ONU e Fundador das Nações Indígenas, Folha de S. Paulo, 31 de agosto de 1994).

II - “O Brasil não terá índios no final do século XXI (...)E por que isso? Pela razão muito simples que consiste no fato de o índio brasileiro não ser distinto das demais comunidades primitivas que
existiram no mundo. A história não é outra coisa senão um processo civilizatório, que conduz o homem, por conta própria ou por difusão da cultura, a passar do paleolítico ao neolítico e do neolítico a um estágio civilizatório.”

(Hélio Jaguaribe, cientista político, Folha de S. Paulo, 2 de setembro de 1994).
Pode-se afirmar, segundo os textos, que:
a) tanto Terena quanto Jaguaribe propõem idéias inadequadas, pois o primeiro deseja a aculturação feita pela “civilização branca”, e o segundo, o confinamento de tribos.
b) Terena quer tranformar o Brasil numa terra só de índios, pois pretende mudar até mesmo a língua do país, enquando a idéia de Jaguaribe é anticonstitucional, pois fere o direito à identidade cultural dos índios.
c) Terena compreende que a melhor solução é que os brancos aprendam a língua tupi para entender melhor o que dizem os índios. Jaguaribe é de opinião que, até o final do século XXI, seja feita uma limpeza étnica no Brasil.
d) Terena defende que a sociedade brasileira deve respeitar a cultura dos índios e Jaguaribe acredita na inevitabilidade do processo de aculturação dos índios e de sua incorporação à
sociedade brasileira.
e) Terena propõe que a integração indígena deve ser lenta, gradativa e progressiva, e Jaguaribe propõe que essa integração resulte de decisão autônoma das comunidades indígenas.
FONTE
Cd's da Secretaria Estadual de Educação - RJ (acompanham apostilas voltadas para o terceiro ano ano Ensino Médio)

17 comentários:

  1. Ninguem quer só as perguntas seu professor imprestável, vê se prova de sua inteligência e colocar as respostas ¬¬'

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  2. ola, pode me enviar o gabarito para fuscellaarthur@gmail.com

    obrigado
    arthur

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  3. Ola,gostaria que se possivel me enviassem o Gabarito.Sou Grata

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  4. Achei interessantissimo,muito válido,de uma ajuda sem precedentes na hora de montarmos provas.obrigada. Lecy Nascimento

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  5. E as respostas??????????/ não tem sentido, pois precisamos das respostas comentadas, para podermos aprender de verdade

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  6. Por favor Manda as respostas pro meu email...Sou professora...e seu blog eh muito bom! Priscylla (pytylla023@gmail.com)

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  7. Isac posta algo sobre escola Arcade minha professora ,HELLEN do integrado, ensina muito bem só que eu queria mais informação se tiver é claro não tem como eu ir no plantão e seria um bom assunto no seu blog que por falar nisso ficou ótimo

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  8. Caro professor,solicitei o gabarito de um questionário,e não obtive resposta,gostaria muito de ser atendida,inclusive a respostas destes exercícios que foram postados agora.

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  9. Caro Amigo,penso poder tratar-lhe assim.Gostaria de receber exercícios sobre Historia da Arte,atividades com gabarito.Se houver possibilidade de atender-me fico-lhe grata.Obrigada.Prof Lecy Nascimento

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  10. O exercicio é otimo sim, porém concordo com os demais, sem o gabarito, de nada adianta.
    E o feedback? fica onde?
    Poste o gabarito, por favor.

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  11. Qual a finalidade de se dar ao trabalho de escrever em um blog, que se define para ajudar professores, estudantes e etc, sem ao menos disponibilizar as respostas das questões citadas?????

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  12. Qual a finalidade de se dar ao trabalho de escrever em um blog, que se define para ajudar professores, estudantes e etc, sem ao menos disponibilizar as respostas das questões citadas?????

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  13. Para que os próximos leitores consigam compreender a questão segue a resposta da questão 73:

    Resposta A - Antítese-Barroco.

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  14. Este comentário foi removido pelo autor.

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